feito não pra esquecer


Knowing only recent how to smile
The baby smiles, dying,
At her mother's breast
     Left on the ground
     For lack of any shelter
     The children attract swarms of flees

Sucking a stick on the brink of death
He says, this is good,
This is a peace of sugar cane.

*

A dragonfly
stops for an instant
On the corpses of three siblings
     The fire rages
     Engulfs two children
     Pressing up beside their old brother

*
 
The tomato in my kimono sleeve
is for Hiro-chan, says my wife
As she draws her last breath

*

Em 1945, Astuyuki Matsuo perdeu a mulher e os dois filhos pequenos após a queda da bomba em Nagasaki. Alguns de seus poemas restaram.

Um outro sobrevivente da bomba, desconhecido, escreveu em suas roupas queimadas, guardadas em um museu na cidade: "Não esquecer as 11 horas do dia 9 de agosto de 1945".
Copiei a tradução dos poemas, para não esquecer.

caminho



Kyoto. Arashiama, 25 de dezembro de 2011.
Subindo a pé para o templo de madeira, margeando o rio. No caminho, uma caixa para recolher pensamentos sobre poemas, outra com uma pergunta que me acompanhava desde o início da caminhada.
Tomba do dedo
uma letra

E uma vírgula,
no centro do verso

Abraça o papel
com um susto -

o mais profundo
é a pele

E o espaço, sem nome,
entre o corpo
e o chão

jet leg

cochilar
no meio do cisco

trocar a pele
da palavra

soprar, leve,
um pedido do olho

guardar a tarde caída
dentro do acento
A premiação do festival foi em 2008 e o livro ficou pronto este ano, graças aos esforços de alguns resistentes, que ainda acreditam ser possível editar poesia (e prosa) por aqui. 
Nele, participo como menção honrosa em poesia. 
O lançamento foi no b_arco e o livro está aí, com um prefácio de Antonio Candido para o conto premiado de Vinícius Cássio Barqueiro, a bela imagem de Juliana Cordaro para a capa e um texto da professora Lilian Jacoto abrindo os trabalhos.